segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Uma Publicação VERDADES VIVAS


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Um Breve Resumo dos Capítulos


Um Breve Resumo dos Capítulos

  • Capítulo 1 – as qualidades morais e espirituais necessárias no homem de Deus em um dia de ruína.
  • Capítulo 2 – os grandes princípios em que o homem de Deus deve servir em um dia de ruína.
  • Capítulo 3 – as garantias e recursos do homem de Deus em um dia de ruína.
  • Capítulo 4 – incentivos divinos para o serviço em um dia de ruína.


Mantendo um Espírito Correto


Mantendo um Espírito Correto

Paulo faz um comentário final nessa epístola. Ele lembra a Timóteo da necessidade de ter um espírito correto devido ao estado desordenado das coisas no testemunho Cristão. Ele disse, “o Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito” (v. 22). Isso é mencionado quatro vezes nas epístolas de Paulo, e o modo como é usado é muito instrutivo. Cada referência tem uma aplicação especial à situação que Paulo estava abordando.
Aqui em 2 Timóteo, onde um colapso no testemunho Cristão está em vista, é preciso ter um espírito correto. Temos que estar em alerta contra duas atitudes. Primeiro: não devemos nos permitir ocuparmos com o fracasso ao ponto de desistir, frustrados, e abandonar o caminho. Vemos muitas coisas desanimadoras em um dia de ruína, mas não podemos deixá-las nos abater. Foi isso o que aconteceu com Elias (1 Rs 19). Ele ficou desanimado com o estado ruim das coisas em Israel e desistiu. Segundo: se tivermos sido fiéis em alguma medida, devemos ter o cuidado de não nos permitir ficar cheios de orgulho por causa disso. Quando olhamos ao redor e vemos tanta infidelidade, injustiça e desinteresse entre os Cristãos podemos desenvolver uma atitude de superioridade, achando que somos melhores do que nossos irmãos. É possível estar certo em doutrina e princípio, e mesmo na conduta exterior, mas estar errado em espírito. Devemos ser vigilantes quanto a isso pois “a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16:18).
Na epístola de Paulo aos Gálatas, a mesma frase é usada, mas em um contexto totalmente diferente. Ele escreveu para corrigir os gálatas sobre um erro grave que eles estavam tendo em relação à lei e à graça. Ele sabia que havia o perigo de eles não aceitarem sua correção da maneira certa e se ofenderem com o que ele dissesse a eles. Então, antes de concluir a epístola, ele disse, “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito”. Essa é uma área na qual também devemos estar em alerta. Precisamos manter um espírito correto quando alguém nos corrige. Devemos tomar cuidado para não guardar rancor para com essa pessoa. “Fiéis são as feridas feitas por um amigo” (Pv 27:6 – JND).
Na epístola de Paulo aos Filipenses, essa frase é usada novamente, mas em um contexto diferente. Havia certa desunião se formando entre alguns indivíduos (Fp 4:2), e isso tinha o potencial de ameaçar a unidade de toda a assembleia. Se não fosse tratado, poderia resultar em uma divisão completa. Paulo sabia que havia a possibilidade de uma ruptura na comunhão entre os Filipenses, e ele acrescentou as necessárias palavras: “a graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito” (Fp 4:23 – ARA). Quando surgem problemas desse tipo entre os santos, temos que vigiar nosso espírito, e não ficar irritados na carne. Isso não ajudará em nada, apenas irá agravar a situação. É necessária uma graça especial para ter um espírito correto em tais situações. Quão cuidadosos devemos ser. As palavras de José aos seus irmãos são boas para nós, “não contendais pelo caminho” (Gn 45:24).
A expressão também aparece em Filemon 25. E, novamente, em um contexto diferente. Aqui é em conexão com perdoar e receber uma pessoa arrependida. Onésimo foi um servo desobediente que fugiu de seu mestre Filemon, mas foi salvo depois de entrar em contato com o apóstolo. Paulo escreveu essa carta para Filemon, encorajando-o a perdoar e receber o servo arrependido. Nesses casos, há uma tendência de nutrir sentimentos de amargura em relação à pessoa que nos ofendeu, e não verdadeiramente perdoá-la de coração. Portanto, ele diz, “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito”.
É claro que um espírito correto é necessário em todas as situações – mas é ainda mais em um dia de ruína quando nossa paciência e fidelidade são constantemente testadas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vs. 19-22 – As saudações finais do apóstolo incluíam uma saudação a “Priscila e Áquila”. Esse casal permaneceu fiel e serviu de auxílio na obra do Senhor (At 18:2-3, 24-28; Rm 16:3-5). Ele também saudou a “casa de Onesíforo”. Não se sabe se Onesíforo estava vivo neste momento ou não. Se ele não estivesse vivo, é especialmente animador ver sua casa seguindo adiante fielmente (2 Tm 1:16-18).
Ele relata a Timóteo que “Erasto ficou em Corinto”. A julgar pelas epístolas do apóstolo aos coríntios, havia muito trabalho a ser feito em Corinto. Ele também relata que ele havia deixado “Trófimo” doente em Mileto (v. 20). Os poderes miraculosos de cura do apóstolo não foram usados nesse homem. Trófimo tinha sido útil na obra (At 20:4, 21:29), e poderíamos pensar que, devido ao fato de que havia uma grande escassez de servos, ele deveria tê-lo curado. Mas os milagres, em geral, eram sinais para os descrentes, não uma maneira de proporcionar bem-estar pessoal para a família da fé. Isso mostra que não é sempre o caminho de Deus curar crentes doentes. Ele queria que Trófimo aprendesse algo por meio de sua enfermidade, e Paulo não interferiria nos tratamentos do Senhor com ele curando-o.
Pela segunda vez Paulo insiste com Timóteo para ir até ele, provavelmente, sentindo que seu martírio era iminente (v. 21). Ele ansiava por uma última visita de Timóteo. Paulo envia saudações a outros quatro crentes – “Êubulo”, “Pudente”, “Lino” e “Cláudia”. A julgar pelos seus nomes latinos, esses eram Cristãos romanos que amavam a irmandade e queriam ser lembrados por Timóteo.

4) Há uma Escassez de Servos Fiéis


4) Há uma Escassez de Servos Fiéis

Vs. 9-15 – Um quarto incentivo para Timóteo se engajar imediatamente no serviço ao Senhor era a grande escassez de servos fiéis. Havia deserção até mesmo entre os servos do Senhor, e como consequência havia menos servos disponíveis do que nunca. Paulo diz a ele, “procura vir ter comigo depressa. Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica; Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia”. Este velho guerreiro estava prestes a deixar o campo de batalha, e ao olhar para o trabalho a ser feito viu que a necessidade era maior do que nunca. Ele com tristeza relata que alguns que poderiam ser de ajuda estavam fora fazendo outras coisas. Ele disse, “porque todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2:21).
Em vista dessas condições era ainda mais necessário Timóteo cingir seus lombos e se engajar na luta. A obra de Deus requer todo o homem e mulher disponível. O bastão da fé havia sido colocado nas mãos de Paulo, e ele correu fielmente até terminar seu percurso; agora ele estava entregando o bastão intacto a Timóteo. Era a vez de Timóteo correr e “combater o bom combate da fé” (1 Tm 6:12). Portanto, ele precisava se levantar imediatamente e se engajar na obra.
Atualmente há uma necessidade ainda maior de servos fiéis para se colocarem nas trincheiras e levarem adiante a obra do Senhor, conservando e ensinando a doutrina de Paulo em sua totalidade. O Próprio Senhor disse, “a seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a Sua seara” (Mt 9:37-38). Atualmente são muito poucos os que conservam tudo o que Paulo deu à Igreja, e menos ainda aqueles que irão disseminar isso.
Paulo sentiu a deserção geral de seus irmãos e desejou que Timóteo viesse e ministrasse a ele (v. 9). É improvável que isso tenha acontecido. As autoridades romanas sob Nero provavelmente executaram o apóstolo antes de Timóteo chegar lá. Mas isso demonstra a importância da comunhão em um tempo de ruína e fracasso. Precisamos nos reunir para animarmos uns aos outros sempre que possível. A verdadeira comunhão Cristã é em relação às coisas divinas – coisas que os Cristãos têm em comum (At 2:42). Hoje em dia muitos pensam que comunhão Cristã é se reunir para praticar esportes e outras atividades recreativas. Não desincentivamos tais coisas, mas isso dificilmente será aquilo que irá “fortalecer as coisas que restam” (Ap 3:2 – JND).
A deserção estava por toda a parte. Havia infidelidade nas fileiras; muitos que outrora haviam sido fiéis se apartaram (2 Tm 1:15). “Demas” foi um exemplo de deserção (v. 10). Houve um tempo em que ele serviu com o apóstolo e foi recomendado como um companheiro de trabalho (Fm 24 – TB). Ele é mencionado como um dos que enviou saudações aos irmãos, o que indica que ele amava a comunhão dos irmãos (Cl 4:14). Mas “o presente século” acabou atraindo-o. Não é que Demas tenha abandonado a Cristo, mas que ele desistiu de andar com Paulo, se apartando dele e daquilo que ele ensinava. Ele não partiu para o lado sujo do mundo, mas para uma posição de concessões entre os santos onde havia alguma vantagem mundana para ele. Isso é muito triste.
O problema de Demas foi que ele “amou” o presente século (v. 10). Esse é um grande contraste com aqueles que “amam” a Aparição de Cristo, que inaugura o século vindouro (v. 8).
É surpreendente que a epístola que fala sobre declínio no testemunho Cristão mencione dois tipos de amor. Há um amor pela Aparição de Cristo e um amor pelo mundo. Tudo está se movendo ou em uma ou na outra direção. Faríamos bem em nos perguntar em que direção estamos indo.
Outros também se afastaram de Paulo, mas ele não diz os motivos – então não devemos especular quanto ao porquê. É possível que eles tenham ido aos vários lugares mencionados aqui em serviço fiel ao Senhor. Não obstante, hoje em dia existem muitos que poderiam estar servindo de ajuda, mas estão fora fazendo outras coisas. Uma das táticas do inimigo nos últimos dias é manter bons homens e mulheres, que realmente poderiam servir de ajuda no serviço ao Senhor, preocupados com outras coisas (Cl 4:17).
Pode ser que “Crescente” e “Tito” também tenham falhado, visto que eles foram mencionados na mesma frase que “Demas”, mas a maioria dos comentadores rejeita essa ideia. (Se realmente fosse esse o caso, talvez Demas indo para Tessalônica fale de querer permanecer com verdades elementares, e talvez, adiando a esperança da vinda do Senhor. Crescente voltando para as regiões da Galácia talvez fale de voltar ao legalismo. Tito voltando para a Dalmácia– que é o mesmo lugar de Ilírico – significa “vão esplendor”. É o lugar onde o apóstolo fez muitos sinais e maravilhas (Rm 15:19). Indo para Dalmácia talvez fale de voltar para o lado atrativo e carismático do Cristianismo. Parece que o testemunho Cristão, nesses últimos dias, está se desviando nessas três direções). Consequentemente, havia escassez de servos fiéis por dois motivos – um era bom, mas o outro, não:
  • Deserção.
  • Preocupação e comprometimento com outros serviços. 
 V. 11 – Paulo diz que apenas “Lucas”, o médico amado (Cl 4:14), permaneceu com ele. Houve um abandono geral de Paulo pela massa Cristã daquele dia. Os Cristãos estavam simplesmente envergonhados de serem identificados com ele. Lucas se destaca como um exemplo brilhante de fidelidade em tempos assim.
“Marcos” foi evidentemente restaurado e é visto aqui como sendo útil ao apóstolo Paulo. Ele havia abandonado a obra na primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, quando eles estavam em Perge (At 13:13). Mas agora ele aparece restaurado e sendo considerado útil no serviço ao Senhor. Esse é um encorajamento especial para todos aqueles que falharam. Deus em graça está restaurando almas nesses últimos dias e tornando-as úteis em Seu serviço. Isso nos mostra que Deus pode usar aqueles que falharam. Se pessoas falharam, não é o fim para elas. Cair não faz de alguém um fracasso, mas continuar caído faz (Pv 24:16).
Vs. 12-13 – Paulo enviou “Tíquico” a Éfeso, que era a capital da Ásia – o próprio lugar onde o abandono ao apóstolo foi o maior. Não nos é dito por que, então, mais uma vez, devemos ser cuidadosos em especular. Talvez tenha sido para convencê-los de seu erro de se apartar do apóstolo Paulo e de seu ministério.
O fato de a “capa” de Paulo, seus “livros” e seus “pergaminhos”, serem mencionados na Palavra de Deus indicam que Deus está interessado nas roupas que vestimos e nos livros que lemos. Alguns nos dirão que essas coisas não são importantes, mas para Deus elas são. O mesmo Deus que está interessado em nossa bênção eterna também está preocupado com nossas menores necessidades temporais. Nunca nos esqueçamos disso.
Aparentemente, os “livros” eram anotações de ministério feitas por Paulo e os “pergaminhos” eram páginas em branco que ele pretendia usar para fazer mais anotações. Isso mostra que registrar nossas ideias no papel é algo proveitoso. Isso nos ajuda a organizar os tópicos espirituais em nossa mente para que sejamos capazes de apresentá-los a outras pessoas de maneira organizada. Esse é um exercício em que todo servo do Senhor deveria estar engajado. Alguém disse que nossas ideias são colocadas em ordem na ponta de um lápis.
Vs. 14-15 – Paulo se dirige a Timóteo para alertá-lo sobre uma pessoa em particular que era um inimigo das “palavras [ensinos]do apóstolo. Ele é “Alexandre, o latoeiro”. Essa talvez seja a mesma pessoa que foi excomungada da assembleia por determinação apostólica (1 Tm 1:20). Agora, do lado de fora, e sem arrependimento, ele era um furioso adversário de Paulo. Isso nos ensina que se agirmos com fidelidade e defendermos a verdade, podemos esperar receber ataques de pessoas assim. Nota: Paulo não revidou. Ele simplesmente enfatizou seu caráter e alertou a Timóteo sobre ele. Ele entregou toda a questão ao Senhor, dizendo, “o Senhor lhe pague segundo as suas obras”. Essa não foi uma oração imprecatória invocando juízo sobre esse homem, mas um simples reconhecimento do fato de que isso não passaria despercebido pelo Senhor. Ele lidaria com isso em um julgamento governamental de acordo com as obras dele. Isso nos ensina que não devemos revidar àqueles que nos atacam, mas deixar que o Senhor lide com eles em Seu tempo. Não devemos responder a carne com a carne.
  • Demas – começou bem, mas terminou mal.
  • Marcos – começou mal, mas terminou bem.
  • Lucas – começou bem e terminou bem.
  • Alexandre – começou mal e terminou pior. 
Vs. 16-18 – Outro relato triste que o apóstolo transmitiu à Timóteo foi sobre a deserção dos santos em Roma. Quando Paulo chegou à Praça de Ápio os irmãos de Roma mostraram grande afeto por ele (At 28:15). Mas, posteriormente, quando ele foi chamado a comparecer diante das autoridades em seu julgamento, eles o “desampararam”. Timóteo não podia esperar nada melhor – tal era o dia. No entanto, é encorajador ver que o Senhor não abandonou a Paulo em tal momento. Ele diz, “mas o Senhor assistiu-me”. No livro de Atos, quando Paulo não agiu totalmente de acordo com às intenções e à direção de Deus, e como consequência disso foi parar na prisão, é dito, “o Senhor, pondo-Se ao lado dele” (At 23:11 – ARA). O Senhor não podia, naquele momento, estar com Paulo no sentido de aceitar alegremente sua ida a Jerusalém, quando claramente essa não era a Sua vontade. Mas o Senhor ainda esteve ao lado de Paulo, pois Ele nunca irá nos abandonar. Ele disse, “não Te deixarei, nem Te desampararei” (Hb 13:5).
Novamente, Paulo não orou para que o Senhor os julgasse. Ele não nutria qualquer ressentimento por seus irmãos que não tiveram coragem. Em vez disso, desejava que o Senhor os perdoasse governamentalmente. Ele orou para que “isto lhes não seja imputado”. Aprendemos com isso que não cabe a nós como Cristãos orar para que Deus julgue qualquer um que nos faça mal ou aja de forma infiel, pelo contrário, devemos orar para que eles recebam Seu perdão governamental.
O Senhor livrou o apóstolo da “boca do leão” que eram as autoridades romanas sob o controle de Satanás (Ap 12:4), e isso deu a eles a confiança de que Ele continuaria a livrá-lo de “toda obra má”.
Para o apóstolo, o “reino celestial” foi alcançado por meio da morte de mártir. Com isso diante dele, ele não estava nem um pouco desencorajado, mas cheio de louvor, dizendo, “a Quem seja glória para todo o sempre. Amém!”

3) Há Recompensas Guardadas para o Serviço Fiel.


3) Há Recompensas Guardadas para o Serviço Fiel.

Vs. 6-8 – Paulo deu a Timóteo outro incentivo para ele estar engajado no serviço ao Senhor – havia uma recompensa a espera de todos os que trabalhavam fielmente em vista da Aparição de Cristo. Havia julgamento vindo para o ímpio, mas havia recompensas vindas para aqueles que eram fiéis.
Paulo se refere à sua própria vida e ministério e à recompensa que o estava aguardando. Ele disse, Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia”. Ele não estava se gloriando; ele menciona isso como um incentivo para Timóteo. Ele estava como que dizendo, “em breve eu estarei com o Senhor e receberei minha recompensa, e haverá uma para você também, se você continuar no serviço fiel”.
A vida de serviço de Paulo foi um contraste marcante à de muitos outros que foram vencidos pela decadência do tempo.
  • Alguns sofreram “naufrágio” quanto à fé (1 Tm 1:19-20).
  • Alguns se “apostataram” da fé (1 Tm 4:1).
  • Alguns “negaram” a fé (1 Tm 5:8).
  • Alguns se “desviaram” da fé (1 Tm 6:10).
  • Alguns “perderam” a fé (1 Tm 6:21 – JND).
  • Alguns “perverteram [derrubaram – JND]a fé de outros (2 Tm 2:18).
  • Alguns foram “réprobos [sem valor – JND]quanto à fé (2 Tm 3:8).


Diante de todo esse abandono, o apóstolo disse, “guardei a fé”. Que contraste! Isso não era vanglória, mas um incentivo para Timóteo prosseguir no serviço fiel. Ele menciona isso para mostrar que em um dia de ruína é possível andar em toda a verdade de Deus. Alguns dizem que não é mais possível praticar toda a verdade que uma vez foi dada aos santos (Jd 3). Mas Paulo não abriu mão de nenhuma parte dela. Ele guardou a fé, ainda que houvesse um conflito feroz por causa disso. Portanto, não temos desculpas para abrir mão de qualquer parte dela.
Paulo se refere à sua recompensa como “a coroa da justiça”. Essa particular recompensa é dada àqueles que prosseguem em justiça em meio a toda injustiça na profissão Cristã. Era uma realidade para todos os que servissem ao Senhor fielmente. Ele disse, “e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua Aparição” (v. 8 – JND). Essas recompensas pela fidelidade serão recebidas no tribunal de Cristo (após o Arrebatamento), mas elas não serão vistas pelo mundo até a Aparição de Cristo, que ocorrerá após a grande tribulação. Quando Cristo vier conosco do céu (em Sua Aparição) para estabelecer Seu reinado na Terra, as recompensas dos fiéis serão manifestadas a todos.
Todo Cristão verdadeiro deve “amar Sua Aparição”. Amar Sua Aparição significa que amamos aqu’Ele que irá aparecer. Além disso, vivemos em um tempo em que o nome de Cristo está sendo maculado. Ele é desonrado por todos os lados. E isso aflige os santos cujas afeições estão corretas. Mas quando o Senhor aparecer, tudo será endireitado – e então Ele terá o Seu lugar de direito. Amamos a Sua Aparição por esse motivo também.

2) Está Chegando o Momento em que Aqueles que Estão na Profissão Cristã Não Irão Receber a Verdade


2) Está Chegando o Momento em que Aqueles que Estão na Profissão Cristã Não Irão Receber a Verdade

Vs. 3-5 – Paulo continuou falando de outro motivo pelo qual Timóteo precisava se levantar imediatamente e se lançar à obra. Ele disse, “porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina”. Mesmo antes de chegar o dia do julgamento haveria uma grande apostasia na profissão Cristã e homens afastariam seus ouvidos da verdade. Isso culminaria com a ascensão do homem do pecado (o anticristo) após a Igreja ter sido chamada para o céu (2 Ts 2:2-4). Timóteo precisava perceber que a apostasia já havia começado na profissão Cristã (2 Tm 4:1), e a dureza dos corações estava chegando rapidamente a um ponto onde eles não iriam “suportar a sã doutrina”. A doutrina de Paulo não seria tolerada pelas massas. Devido a esse fato inevitável, Timóteo devia se levantar imediatamente e se envolver na obra. O argumento do apóstolo era bastante claro: o momento certo para Timóteo servir era o quanto antes (imediatamente) porque estava chegando um momento em que seu trabalho teria pouco ou nenhum efeito.
Ele também sabia que as pessoas “tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores”. Isso indica que ao invés de os mestres serem enviados por Deus para pregar e ensinar Seu povo, os mestres ficariam sob o controle de sua audiência que ditaria a eles o que gostariam de ouvir. As pessoas irão em bando atrás de mestres que têm coisas interessantes para dizer. Atualmente, os assuntos mais populares no ministério Cristão são amor e casamento, e interpretações sensacionalistas da profecia. Se um pregador quiser ter uma audiência de bom tamanho e manter seu emprego como pregador, ele terá que falar sobre esses assuntos que as pessoas querem ouvir. Com isso diante dele ele poderia ser influenciado pelo que as pessoas querem ouvir ao invés daquilo que Deus deu a ele para falar. No entanto, a triste consequência das pessoas procurando por coisas que agradem a seus ouvidos é que elas “desviarão os ouvidos da verdade” e se voltarão para as “fábulas”.
Nem é preciso dizer que vivemos nesse tempo. A Igreja hoje está em um estado de Laodiceia (Ap 3:14-22). Cristãos selecionam e escolhem aquilo que querem aceitar dos ensinos do apóstolo. Muito daquilo que Paulo ensinou – mesmo sendo afirmado em suas epístolas – é mal-entendido, mal interpretado, ou simplesmente ignorado. E algumas das coisas que ele ensinou são completamente repugnantes para a mente Cristã moderna e por isso são descartadas. Portanto, o momento de anunciar a verdade é quando ainda há esperança de ela ser recebida.
Em vista disso, Timóteo devia ser “sóbrio” e não permitir que influências prejudiciais à sua volta o distraíssem do objetivo simples de ministrar a verdade. Além disso, Timóteo devia estar preparado para sofrer pela verdade. Ele devia “suportar as aflições” (ARA), pois haveria ataques à verdade e àqueles que a defendiam.
Além do mais, ao usar plenamente seu “ministério” que parecia ser principalmente ensinar e exortar (1 Ts 3:2; 1 Tm 4:13-16, 6:2b; 2 Tm 2:2), Timóteo não devia esquecer de “fazer a obra de um evangelista”. Parece que Timóteo tinha um ministério de caráter genérico. Ele não devia apenas ensinar a verdade, mas também fazer a obra de um evangelista. Um ministro versátil – “um pau-para-toda-obra” – é extremamente necessário em um dia de ruína quando há tão poucos empenhados no serviço ao Senhor. J. N. Darby comentou, “eu não sou um evangelista, mas sempre que posso, eu faço a obra de um evangelista o melhor que posso”. Fazer a obra evangelística ajudaria a encontrar aqueles que abraçariam a doutrina de Paulo. Novos convertidos geralmente irão receber a verdade mais facilmente do que aqueles na profissão Cristã que foram contaminados pelos ensinos errados que estão em circulação.
Esses têm muito a desaprender, e, muitas vezes, isso não é fácil. Novos convertidos, por outro lado, não têm ideias preconcebidas sobre a doutrina e a prática Cristãs, e é fácil para eles aceitarem a verdade. Por isso, essa era uma obra importante para Timóteo e não deveria ser negligenciada.