Evitar
Associações (Eclesiásticas) Contaminantes
Vs. 19-21 –
O testemunho Cristão estava em tal desordem que mestres perversos como Himeneu
e Fileto estavam se tornando predominantes. Visto que a associação com tais
pessoas estava contaminando e poderia levar alguém a se desviar completamente
do caminho, Timóteo devia ser cuidadoso com suas associações. O problema é que
era difícil saber quem era verdadeiro e quem não era – quem trazia má
doutrina, e quem não trazia. Como Timóteo poderia saber com quem ele deveria se
associar?
Paulo
responde a essa pergunta primeiro nos assegurando que embora as coisas possam
estar em uma desordem terrível, podemos ter confiança de que Deus ainda está no
controle. Ele disse, “o fundamento de
Deus fica firme”. Aquilo que Deus estabeleceu nas almas por meio de Suas operações
divinas iria resistir a despeito de toda a decadência na igreja professa.
Nenhum fracasso do homem pode anular o fundamento que Deus colocou nas almas,
nem O impedir de completar aquilo que Ele começou (Fp 1:6). Há certo conforto
em perceber que o Senhor está sobre todas as coisas e que Ele conhece aqueles
que são realmente Seus.
Visto que
era difícil de dizer quem eram Cristãos verdadeiros e quem eram apenas Cristãos
professos, e quem iria ser contaminado e quem não iria, Paulo dá a Timóteo um
princípio simples por meio do qual ele poderia conhecer aqueles com quem ele
deveria andar. O que Paulo estava prestes a dizer nos próximos versos foi
chamado de “A Carta para o Crente num Dia de Ruína e Fracasso no Testemunho
Cristão”. Ele disse que o fundamento de Deus tem um “selo” duplo. Há o lado da soberania de Deus assim como há o lado
da responsabilidade humana. Do lado da soberania, ele disse, “o Senhor conhece os que são Seus”, mas
do lado da responsabilidade humana, ele disse, “qualquer que profere o nome de Cristo [do Senhor – JND] aparte-se
da iniquidade”. Isso significa que enquanto Deus está definitivamente no
controle, os Cristãos são responsáveis por se comportarem de um modo que esteja
de acordo com Sua santidade. Santidade convém à casa de Deus (Sl 93:5), e todos
aqueles que estão nela devem ser santos como Ele é santo (1 Pe 1:15). Portanto,
somos responsáveis por nos “apartar da
iniquidade (injustiça)”.
Por isso
mesmo, Timóteo devia colocar a profissão de um homem à prova. Fazendo o
seguinte teste: Ele se submete à autoridade do Senhor em sua vida afastando-se
do mal? Se alguém professa conhecer “o
Senhor” e consequentemente se aparta da injustiça, ele está provando ser um
Cristão verdadeiro. Mas se uma pessoa não se afastasse de suas associações com
a injustiça, Timóteo não tinha autoridade para dizer se essa pessoa era
verdadeira ou não, e esta não era uma pessoa com quem ele deveria se associar.
Ele devia deixar essa pessoa com o Senhor que sabe quem é verdadeiro e quem não
é. Timóteo devia usar esse princípio simples para identificar aqueles com quem
ele devia andar. A injustiça da qual Timóteo devia se afastar não tinha relação
apenas com o mal moral, mas com erros doutrinários também – como os mencionados
nos versos 17-18.
Paulo ilustra seu argumento, dizendo, “ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas
também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte
que, se alguém se purificar destas coisas, [se alguém tiver se purificado a si mesmo desses (vasos), em se separando a si mesmo deles – JND] será
vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda
a boa obra”. Ele compara a condição arruinada na profissão Cristã com “uma grande casa” que está em desordem.
A casa contém uma mistura de vasos honráveis e desonráveis. Os vasos “de ouro e de prata” são comparados a
crentes verdadeiros, e os vasos “de pau
e de barro” são comparados a falsos professos que são apenas pessoas “naturais” (1 Co 2:14). Visto que
associações com o mal contaminam (1 Co 15:33; 1 Tm 5:22; Ag 2:10-14; Dt 7:1-4;
Js 23:11-13; 1 Re 11:1-8 etc.), os vasos de ouro e de prata são vistos como
contaminados por sua associação com coisas desonráveis na casa. A contaminação
pode advir tanto da associação com pessoas quanto com seus princípios e
práticas errôneas, e podem ser doutrinária, moral ou eclesiástica.
O grande exercício
para Timóteo era ser não apenas um vaso “para
honra, mas ser um “santificado” vaso “para honra”. Isso envolveria
purificar-se da mistura pela da separação. Esses versos ensinam claramente que
é impossível ser um vaso santificado se alguém permanece em comunhão com a
corrupção na casa. Simples associações com a má doutrina e prática seriam
suficientes para contagiar Timóteo, ainda que ele pessoalmente não sustentasse
ou praticasse o mal. Portanto, seu exercício, se ele desejasse ser fiel e útil,
era “apartar-se” da injustiça na
casa ao se separar dela. Só então ele poderia ser um vaso santificado para
honra.
Essa é a
separação que deve ser praticada na
casa de Deus – dentro da esfera de quem professa o nome de Cristo. Timóteo não
foi chamado para deixar a casa – pois isso significaria abandonar totalmente a
profissão Cristã. Ele devia se separar da desordem encontrada nela. Ele também
não foi chamado para “purificar” a
casa de tudo aquilo que desonra o Senhor (compare Mt 13:28-29). Pelo contrário,
ele devia “purificar” a si mesmo da
mistura contida na casa separando-se dela.
Provérbios
25:24 apresenta o princípio. É dito, “melhor
é morar num canto de umas águas-furtadas do que com a mulher rixosa numa casa ampla”.
Atualmente, cada Cristão desejoso de ser fiel ao Senhor deve passar por esse
exercício. É uma via de mão dupla: primeiro se dissociar, e depois se associar.
Isso é indicado nas palavras, “destes” (v.
21 – TB), e “com aqueles” (v. 22 –
TB). O crente deve se separar dos vasos que estão misturados entre si na casa,
e depois seguir “com aqueles que invocam
o Senhor com um coração puro”. Os estudiosos nos dizem que o termo “desses” está no caso genitivo plural no grego, o que
significa que ele tem uma aplicação ampla e que pode incluir pessoas,
princípios, e coisas – isso é, todo o estado misturado de coisas na casa. Isso
significa que o crente fiel deve dissociar-se de tudo aquilo que é contrário à
verdade de Deus; quanto à Pessoa e obra de Cristo, quanto ao verdadeiro lugar
da igreja sob Cristo a Cabeça, e quanto ao verdadeiro lugar do Espírito Santo
como Guia na assembleia. Ao fazer isso, ele se torna um vaso “santificado” “para honra”.
Essa
passagem ensina que não devemos ficar satisfeitos em andar com retidão diante
de Deus em santidade pessoal apenas, mas também devemos nos preocupar com
nossas associações. Devemos nos separar de qualquer associação com o estado
misturado de coisas (pessoas corruptas, doutrinas e práticas) na casa. Isso
significa que teremos que nos separar de alguns crentes verdadeiros que não
estão muito preocupados quanto a sua associação com o erro e a confusão.
Essa,
então, é a justificativa do crente para se separar dos grandes sistemas
denominacionais dos homens na Cristandade que na prática ignoram Cristo como a
Cabeça de Seu corpo e substituem a direção do Espírito Santo (que deve ser o
Presidente na assembleia em todos os seus procedimentos de adoração e
ministério) por uma ordem clerical feita pelo homem.
Somos
chamados a nos separar da desordem na casa; se crentes verdadeiros estão
satisfeitos em continuar em comunhão com a confusão, não temos escolha a não
ser nos separar deles também. Isso é uma coisa dolorosa, e um teste verdadeiro
de nossa disposição em agir de acordo com os princípios da Escritura. Como se
trata de uma separação de crentes verdadeiros, devemos sentir isso
profundamente porque somos irmãos, e deve haver um vínculo de amor entre todos
os membros no corpo. Todavia, o chamado do Senhor deve ter prioridade sobre o
amor pelos irmãos. Na verdade, nosso amor por nossos irmãos pode ser comprovado
por meio de nossa obediência a Deus. “Nisto
conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os Seus
mandamentos” (1 Jo 5:2). Independentemente disso, devemos nos manter
vigilantes contra uma atitude de pensar que somos melhores ou mais espirituais
do que aqueles de quem nos separamos. O espírito correto ao nos purificarmos da
mistura de vasos na casa envolve julgamento
próprio, e não justificação própria.
Tendo nos
desvinculado da confusão eclesiástica da casa, somos então “idôneos para uso do Senhor” e “preparados
para toda a boa obra”. Isso não significa que aqueles que permanecem na
confusão não podem ser usados pelo Senhor no serviço. A questão aqui é que o
servo agora pode ser usado “para toda a boa obra”. Um vaso
sujo pode ser usado para alguns serviços, mas um vaso limpo pode ser usado para
“toda” obra que precisar ser feita
na casa.
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